Dr. Edmond Kay, médico

Barotrauma do Ouvido Médio é o mais freqüente trauma de mergulho que vi em minha prática médica e usualmente ocorre como um resultado direto de técnicas impróprias de equalização. Existem 9 diferentes técnicas de equalização, assim como várias dicas de como alcançar a efetiva pressurização do ouvido médio. Comecemos com o básico:A tuba auditiva, até a pouco tempo chamada de Trompa de Eustáquio, foi identificada, pela primeira vez, por Bartolomeo Eustachio, médico italiano, por volta de 1500. Com aproximadamente 3,8 centímetros de comprimento, ela se situa atrás da nasofaringe (a parte superior da faringe, ou garganta, próxima das passagens nasais), ao nível das narinas. A trompa normalmente é fechada, mas desobstruída. Fatores como seu ângulo e forma influenciam as obstruções e a tolerância a mudanças de pressão. Alergias, traumas, infecções e outros fatores também podem causar obstruções.

Parte da tuba está sob direta influência das alterações de pressão do sistema respiratório. Quando engolimos, os músculos do palato puxam e abrem-na, enquanto fecham a nasofaringe. Engolir causa a abertura dos tecidos úmidos da tuba, causando um "click" ou estalo. Se um aluno de mergulho ouve um pequeno estalo ao engolir, significa que a tuba se abriu.Variações individuais explicam porque alguns nunca têm problemas em equalizar adequadamente o ouvido médio ao mergulhar, enquanto outros (com tubas auditivas mais finas ou parcialmente obstruídas) podem sentir maior ou menor dificuldade. Estes últimos podem mergulhar com segurança, mas devem prestar maior atenção e ter maior cuidado com sua equalização.Para aqueles com dificuldades de equalização, o posicionamento na coluna d’água é extremamente importante. Uma posição de cabeça para baixo durante a descida compromete uma tuba medianamente obstruída e dificulta a equalização. Assim, alunos, mergulhadores com histórico de problemas de ouvido, mergulhadores "tímidos" e aqueles sem muita certeza se seus ouvidos médios equalizarão devem iniciar seus mergulhos vagarosamente, com os pés para baixo.Alguns mergulhadores ficam apreensivos com a equalização. Aos não familiarizados, pressão no ouvido médio e estalidos podem ser desconcertantes, resultando em tentativas e cautelosas manobras de equalização. Infelizmente, uma tuba auditiva parcialmente obstruída limita a habilidade de equalizar adequadamente durante um mergulho.

Vigorosa (mas não forçada) equalização deve começar na superfície, onde não há pressão atuando sobre o tímpano. Dessa forma, uma leve pré-pressurização do ouvido médio, inflando-se a tuba auditiva previamente à descida, é alcançada. Essa pré-pressurização permite que o ar entre na tuba e passe para dentro do ouvido. Se não for feita e a tuba for espremida por pressão durante a descida, será necessário aplicar muita pressão para re-inflá-la, o que não ocorre com a pré-pressurização. Assim, recomenda-se que esta seja feita sempre, antes da descida.

Antes de aplicar técnicas de equalização, deve-se verificar a adequação da pressurização. Para tanto, usa-se a técnica de pinçar as narinas bem baixo no nariz. Um bom, forte esforço de pressurização faz com que os tecidos acima da ponta dos dedos que estão pinçando a narina inflem, formando um "balãozinho", indicando o esforço aplicado na tuba auditiva. Se o mergulhador não acusa o estalo nos ouvidos ao tentar equalizar, seu instrutor pode utilizar-se dessa técnica para avaliar se o esforço feito está sendo adequado.A seguir, as nove técnicas de equalização existentes, para que se avalie qual a melhor para você: continua

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